O que é que a Bairrada tem?

Postado em 16/10/2018 as 20:04:00

O QUE É QUE A BAIRRADA TEM?

Meus Diletos Leitores e Leitoras,

A primeira coisa que aprendi pra responder essa pergunta com fidelidade foi que o nome “Bairrada” deriva de “barrentos”, uma associação à quantidade de barro encontrada no solo onde as vinhas são cultivadas. Geograficamente a Bairrada é uma sub-região natural situada na província da Beira Litoral e região do Centro (Região das Beiras) de Portugal, que compreende integralmente os conselhos de Anadia, Mealhada, Oliveira do Bairro, bem como algumas freguesias dos concelhos de Vagos, de Coimbra e ainda a freguesia de Nariz, já no município de Aveiro. Anadia é a capital dessa famosa região vinícola. Muito bem, agora que sabemos onde estamos, o próximo passo é saber que a Bairrada se caracteriza essencialmente pela forte produção vitivinícola, sob a denominação Bairrada (DOC), Denominação de Origem Controlada também considerada Região Demarcada (espumante), bem como pelo afamado “Leitão Assado à Bairrada”. A Região da Bairrada é reconhecida pela qualidade dos seus vinhos espumantes. A combinação com a gastronomia típica local gera inúmeros apreciadores. A produção de vinho espumante na Bairrada comemorou cento e vinte e cinco anos no ano de 2015.
Dois terços dos vinhos espumantes portugueses são produzidos na Bairrada. Antes que eu me esqueça, você já degustou um espumante da Bairrada? A tradição ainda é o que era! Afinal, na Bairrada, terra de grandes espumantes portugueses e de paisagens exuberantes, ainda hoje se colhem as uvas à mão. Não dá pra contestar a máxima de que “a cultura de um povo está naquilo que tem à sua mesa, no que melhor sabe fazer, no que resulta seu labor e nos ditames do sabor”. Na Bairrada os apreciadores dos soberbos Sucos da Bíblia, seguem essa máxima à risca, aproveitando que estão em uma região cuja cultura remonta a períodos ancestrais, uma terra antiga e regida pela natureza, com tradição na lavoura e na pecuária, onde o cultivo de vinhos está documentado nos períodos romano e idade média. Uma terra de costumes caseiros fortes e enraizados, ditados pela vida no campo e pelo destino do seu vinho. Escrever sobre a Bairrada e deixar de fora o famoso prato “Leitão da Bairrada”, seria um pecado de minha parte. Para que tenham uma idéia da importância que os bairradinos dão à tradição e qualidade, até a seleção do leitão deve obedecer a uma série de critérios. O primeiro, é que o bicho tem que ser de casta local – e com isto digo da zona da Bairrada que, como vimos, abrange vários concelhos. Pode ser da raça Bísaro ou Malhado de Alcobaça. O truque é que este tenha um mínimo de seis quilos e meio e um máximo de oito quilos e meio, correspondendo a isso um animal com aproximadamente um mês ou um pouco para lá disso – o tempo certo para que o leitão tenha gordura mas não em excesso. Adicionalmente, é fundamental que não tenha sido alimentado por nada mais do que leite da sua mãe – ou seja, um leitão reduzido totalmente à sua condição de mamífero e que aqui no Brasil chamamos de “leitãozinho de leite”. A mãe do leitão, por sua vez, deve ser alimentada da forma mais natural possível, já que o leite de qualquer fêmea é influenciado pela sua dieta. Portanto, evitem-se rações e comida processada. A preparação do “Leitão da Bairrada” leva pelo menos quatro ou cinco horas até que ele chega ao prato pronto a ser degustado. A matança do animal e todo o processo de esboldração que se segue exige perícia do executante e experiência de quem tempera. O leitão deve ser abatido de uma só facada, sem crueldade. Essa iguaria sem igual é servida com batata, preferencialmente cozida, salada a gosto. E vem ao prato à temperatura que se quiser – eu, por exemplo, sou um dos aficionados de leitão frio ou, no máximo, morno. Os sommeliers e enófilos locais recomendam o espumante tinto ou rosé para harmonizar com essa delicia, porém sem enochatice, deixam essa escolha para o gosto do freguês. Já que a brincadeira é de gente grande, no meu banquete eu escoltei o meu “leitãozinho de leite da Bairrada” com um tinto grandioso da Baga. Não esquecendo que existem opções de sobra pra você fazer a sua harmonização. Relaxe! Então, falando em vinhos tintos, a região da Bairrada, é o verdadeiro reino da uva Baga. Essa variedade de uva dá origem a alguns dos melhores vinhos tintos portugueses, exemplares refinados, inimitáveis, de enorme classe e estrutura. A “domesticação” da Baga foi um verdadeiro feito, já que a uva tendia a produzir vinhos excessivamente tânicos e ácidos, de pouca concentração. Hoje, ela é considerada uma das maiores uvas portuguesas ao lado da uva Touriga Nacional. A uva Baga possui enorme importância para a região da qual ocupa 50% de toda a extensão de vinhedos da área, seguida, em grau de importância pelas uvas tintas Touriga Nacional, Castelão e Aragonez. No caso das uvas brancas, encontram-se as castas autóctones Arinto, Rabo de Ovelha, Maria Gomes e Bical.

Sabia que aqui mesmo no site da BACOZON existem, para encantar a sua próxima enoharmonização, excelentes exemplares desses vinhos da Bairrada? Ta esperando o que para tirar proveito dessa comodidade espetacular? Hey, não deixem de experimentar os vinhos brancos e rosés da Bairrada, também são muito elegantes e com bom corpo e classificados entre os melhores exemplares de Portugal.

Resumo desta colheita de informações: a Bairrada é, sem dúvidas, uma das maiores fontes de grandes vinhos de Portugal. A região da Bairrada é também uma das maiores referências portuguesas na produção de vinhos tintos, hoje embaixadores mundiais dos prazeres aromáticos e saborosos, engarrafados por vinícolas portuguesas com toda certeza.

Pra acabar, uma dica indispensável: quando estiver na Bairrada não deixe de conhecer o Museu da Etnomúsica e o Museu do Vinho Bairrada.

Respondendo agora pergunta feita no título desse artigo: TUDO ISSO AI E AINDA MAIS!

O melhor da vida está sempre por vir. Vamos então comedidamente, beber, comer e amar. Portanto, um brinde à sua saúde!